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Escassez de conilon ameaça crescimento das exportações de café solúvel

04/10/2016

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Por Thais Fernandes

A indústria brasileira de café solúvel enfrenta um ano em que a oferta de café conilon, da espécie coffea canéfora, é cada dia mais baixa. A escassez ocorre em decorrência da seca que atingiu o Espírito Santo em níveis históricos, de acordo com produtores do estado, que é o maior produtor da variedade no país. Além da safra comprometida em decorrência dos problemas climáticos, boa parte do café conilon capixaba saiu do Brasil em 2015. As exportações atingiram volume recorde no ano passado, com 4,02 milhões de sacas de 60 kg. O número representa o maior embarque do grão feito pelo Estado na história e foi divulgado pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). Frente a isso, os industriais afirmam que o momento é de aperto no fluxo de oferta e quando o produto aparece são com preços bem acima dos historicamente vistos. Somado às oscilações do dólar para baixo, estabelece-se um cenário de muita preocupação com a competitividade do café solúvel brasileiro frente às indústrias concorrentes. As informações foram divulgadas no Relatório do Café Solúvel do Brasil, elaborado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

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A indústria de café solúvel é voraz consumidora de café conilon, utilizando 80% em seus blends e processando, em média, quase um terço da produção brasileira da variedade, pontua o relatório da Abics. Apesar da quebra na produção deste ano, a expectativa da indústria é que a oferta tende a se equilibrar em razão da redução das exportações de conilon, e a indústria de torrefação migre para a compra de arábica, em substituição ao robusta, devido aos preços. Outro caminho é aproveitar os leilões de café que o Governo começou a fazer neste mês de agosto. “São providenciais e em boa hora para ajudar a estabelecer o equilíbrio da oferta”, defende o relatório. “O grande temor do setor é o café conilon alçar patamares de preços acima dos internacionais praticados pelos países produtores da variedade. Os impactos são imediatos nas exportações, com consequências desastrosas de perda de mercado. Os preços do robusta em alguns países produtores já estão com preços mais baixos que o conilon brasileiro”.

Exportações

A Abics aponta que as exportações de café solúvel, extratos e concentrados fecharam o primeiro semestre de 2016 com importante alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2015. Foram 41.279 mil toneladas, equivalentes a 1.789.098 sacas de 60 quilos de café verde. Já as receitas cambiais somaram US$ 266.413.873,00, apresentando queda de 10,5% quando também comparadas ao primeiro semestre de 2015. O aumento das exportações já havia acontecido em 2015, com volume 2,3% superior a 2014. Porém as receitas cambiais de 3,537 milhões de sacas exportadas foram de US$ 576,7 milhões, registrando uma queda de 3,8%. As exportações do semestre tiveram como destino 105 países, sendo que os 20 maiores corresponderam a 82,7% do volume exportado e a 80,6% em receitas cambiais, o que implicou um incremento de 4% no volume e uma retração de 8% em valor, quando comparados ao primeiro semestre de 2015. “Embora as receitas cambiais tenham sido menores em razão da desvalorização do real frente ao dólar nos últimos tempos, houve um ganho de competitividade do café solúvel brasileiro com a consequente e imediata ocupação de espaços no mercado internacional pelas indústrias nacionais. Isso explica os constantes aumentos de volumes exportados”, conclui o relatório da Abics.

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