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O que é o café solúvel?

29/10/2020

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Fonte: Barista Wave 

Por Ramon Carrocino

 

Quando se fala em café solúvel logo você deve se lembrar dos potes de vidros com as “pedrinhas de café” com o rótulo da NESCAFÉ. Para alguns praticidade, para outros café ruim. Não vamos entrar nesse mérito, mas vamos explicar como nasceu e como é feito.  Continue a leitura para descobrir!

 

Origem do café instantâneo

O café instantâneo apareceu no mundo pelas mãos do cientista japonês Satori Kato em 1901 em Chicago. Kato expôs seu invento na Exposição Panamericana em Buffalo, Nova York. Após isto, em 1910, George Constant Louis Washington, inventor e empresário, desenvolveu seu próprio método para produzir e comercializar por sua empresa.

 

Mas o que poucos sabem é que o café solúvel foi criado pela empresa suíça Nestlé a pedido do Governo Vargas, para o estudo de uma forma de conservação que mantivesse o aroma e sabor do café, mesmo depois de muito tempo.

 

A necessidade surgiu durante a grande crise mundial por volta de 1930, em que a produção de café brasileiro era muito superior à demanda de consumo. Sem ter para quem vender e com os estoques superlotados, o governo recebeu um duro golpe na economia, chegando a queimar toneladas de cafés ao ar livre.

 

A Nestlé foi escolhida para a tarefa pois já havia conseguido por meio da desidratação, criar o leite em pó, aumentando o prazo de validade de um produto perecível. O presidente da Nestlé na época, Louis Dapples, enxergou uma ótima oportunidade de negócio e, entusiasmado com a ideia, solicitou ao seu químico Max Morgenthaler que desenvolvesse a solução.

 

Nescafé

Morgenthaler pesquisou durante sete anos e, em 1937, a Nestlé apresentou a primeira marca de café solúvel da história, a Nescafé —  sinônimo de café solúvel. A partir disso, a empresa criou a sua própria linha de produção tornando o produto popular na Europa e nos Estados Unidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o café solúvel fez parte da dieta dos soldados devido à sua praticidade e facilidade de preparo.

 

Apesar do uso em larga escala, o produto só ganhou fama anos mais tarde. No Brasil devido à pressão dos fabricantes de café torrado e moído o café solúvel só chegou em 1953. Nessa época o café solúvel se tornou febre mundial, sendo consumido em todos os países do mundo.

 

Café solúvel especial

E o café especial, qual o seu lugar no mundo dos cafés solúveis? Bem, primeiro temos que dizer que não se pode comparar o café torrado e moído com o café solúvel, pois são produtos com perfis e processos diferentes.

 

O que precisa ser dito é que as empresas buscam sempre comprar matéria prima de qualidade, para criar produtos de excelência, visando a satisfação de seu consumidor, além de possuírem normas e certificações de altíssimo nível para garantir sua credibilidade.

 

Destaquemos também que a nomenclatura é outra. Temos os cafés de excelência, diferenciados e convencionais, distribuídos em produtos e experiências diferentes de acordo com o consumidor final. E para que essa diversificação não fique somente no mundo do marketing de rótulo, a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) e os representantes das empresas de café solúvel, deram início, em 2019, ao cupping de cafés solúveis, com o intuito de criar um padrão sensorial de qualidade a ser seguido.

 

 

Menor pegada ecológica

Eliana Relvas, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel — ABICS, comenta que o processamento do café solúvel é muito perto do sustentável.

 

A barista e consultora para o mercado interno da associação, diz que a maior parte do processo é automatizado, minimizando o excesso e descarte de sobras. O produto recebe somente dois processos, pressão e temperatura, além dos insumos, café torrado e água. A borra que se forma é aproveitada como bioenergia. A água pode ser reutilizada, pois é filtrada atendendo a altos padrões de qualidade.

 

Já no produto final, temos o consumo do café deixando pouco ou nenhum pó na xícara, embalados em vidro, que podem ser reutilizadas, ou em pacotes de papel altamente biodegradáveis, por aproximadamente 6 meses.

 

 

Os Processos do Café Solúvel

Os produtos comercializados pelas indústrias associadas da ABICS são oferecidos em diversos formatos. O próprio site da associação apresenta esses processos e, dentre eles, destacamos três: Spray Dried, Aglomerado e Freeze Dried/Liofilizado

 

Spray Dried

É o café solúvel em pó. No seu processo de fabricação o extrato de café é submetido a altas temperaturas e pressão. Em seguida, o material passa por pulverização e exposição ao ar quente que faz o produto perder a umidade e se converter em pó.

 

Aglomerado

Fabricado a partir do café spray dried que passa por um processo de aglomeração em um equipamento específico que junta o pó e vapor. O produto final é uniforme e de fácil dissolução.

 

Freeze Dried / Liofilizado

Para obter o café liofilizado, o extrato é congelado a -40°C e, em seguida, passa pelos processos de moagem, secagem à vácuo e sublimação, que é a passagem direto do estado sólido para o gasoso, desidratando o produto.  Fonte: ABICS

 

Além do café instantâneo, o processo de obtenção do extrato também abastece a indústria de alimentos e de cosméticos. A imagem abaixo explica as etapas de elaboração do solúvel.

 

Fonte: ABICS

 

A ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) trabalha com foco na expansão de mercados para o solúvel brasileiro, além de mobilizar esforços para a melhoria de qualidade. Se interessou e quer saber mais sobre o assunto? A ABICS elaborou um manual de café solúvel para baristas que apresenta todos os detalhes do processo de produção  do café solúvel.

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